A Esteira do Prazer e o Consumo afetam sua Vida

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Consumir é um ato necessário. Ser Feliz é uma necessidade humana. E você? É feliz porque consome ou Consome para ser feliz?


Quando compramos um carro novo, uma casa nova ou simplesmente um novo celular, a princípio ficamos mais felizes, mais empolgados. O mesmo acontece quando temos um novo emprego. Mas depois que nos acostumamos temos a tendência a voltar a ser o que era antes.

Ocorre sempre uma necessidade de um carro maior, uma casa maior, de um novo celular de última geração. O emprego já não satisfaz como antes. É preciso mudar de cargo ou de empresa. Neste texto vou mostrar que isso pode arruinar sua vida financeira e em outras áreas.

Você lembra dessa cena no desenho do Pica-Pau?


Saiba que para a maioria de nós, se voltarmos a ter o carro mais simples, a casa menor, o celular antigo, seria muito menos feliz do que era antes de experimentar algo melhor. Isso é natural. Isso pode ser um problema quando não entendido.

Eu sei... Já passei por isso! Vou contar uma pequena história sobre mim.

Cresci sem ter carro próprio à disposição para me locomover. Sim, meu pai tinha carro, mas não precisava ser utilizado para qualquer situação cotidiana. Às vezes, eu andava alguns quilômetros até minha escola ou ia visitar amigos de bicicleta. Mas cresci e pude comprar um carro, depois uma moto, depois um carro mais novo. A partir de então eu me sentiria realmente mal se tivesse de voltar a andar a pé ou de bicicleta para realizar minhas atividades cotidianas. Na verdade, me viciei...

E quando tive de ficar sem uma transporte próprio por um pequeno período, isso deixou mais estressado e um pouco triste... Meu padrão de vida foi abalado.

Até certo ponto, o padrão de vida é como o álcool ou as drogas. Quando você tem uma experiência nova, precisa continuar tendo mais dela para manter sua felicidade.

Na verdade, é uma espécie de "esteira de corrida do prazer" em que precisa continuar a se mover rapidamente para que sua felicidade permaneça nos mesmos patamares.

Esse processo é conhecido na psicologia como adaptação. Se a adaptação é completa, somente estímulos novos e contínuos podem aumentar seu bem-estar.

Quando uma situação se torna estável novamente, voltamos ao nível de "ajuste de felicidade". Fazemos isso independentemente se a mudança é para melhor ou para pior.

Temos a incrível e natural capacidade de nos adaptar às mudanças para o bem ou para o mau.

O que ocorre em muitos casos é que o sujeito deseja a mudança, todavia o sofrimento surge quando tudo está fixado ao passado, sentimos necessidade de mudar, no entanto quando inicia o processo de transformação encontramos uma grande dificuldade em adaptar-se às novas situações apresentadas quando elas não são tão favoráveis quando imaginávamos.

Então, até que ponto nos adaptaremos à renda mais altas?

O que seria uma renda suficiente e necessária para você hoje? Quanto tempo você ficaria feliz com ela?

Acabamos desenvolvendo um vício na renda principal que nos é necessária. As coisas que mais facilmente nos adaptamos e que mais temos como certas são nossos bens materiais - carros, casas, celulares.

E é aí que os anunciantes utilizam esse fator psicológico para nos manter no vício do consumo desenfreado. Eles servem como os "traficantes" que nos convidam para alimentar nosso "vício" gastando cada vez mais em artigos que não necessariamente constroem nossa riqueza.

Equilíbrio entre vida e ganhos para o consumo


Outras experiências em relacionamentos com familiares, amigos e a qualidade e segurança de nossos empregos não empalidecem com a adaptação. Se não prevermos que nos acostumaremos com nossos bem materiais, investiremos demais em adquiri-los à custa de nosso lazer, nossos relacionamentos com as pessoas que amamos.

Nossa vida pode ser distorcida e seguir na direção de trabalhar e ganhar dinheiro por ele mesmo e nos afastarmos de outras atividades que nos dão tão prazer e felicidade quanto aumentar simplesmente nosso salário.

Fica a lição que ganhar mais dinheiro tem de ser equilibrado com outros valores como a vida familiar, frequentemente sacrificada em seu interesse.

Já dizia Millôr Fernandes: “quem só se adapta, vira plágio. Por outro lado,quem muda se torna original.”